De 13 de Maio de 2006 a 31 de Dezembro de 2012, o meu primeiro blog

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Domingo, 11 de Maio de 2008

Júlio Magalhães, o conhecido “pivot” dos tele-jornais da TVI, jornalista/escritor, esteve entre nós na passada sexta-feira, 9 de Maio, para apresentar o seu último livro: “Os Retornados: Uma História de Amor Nunca Se Esquece”.

Ao relatar o relativamente longo processo de produção deste livro referiu a dado momento ter feito a leitura das centenas de páginas que acabara de compor, em meia dúzia de horas e de um só fôlego e de, ao terminar, ter tido a imodéstia de “dizer” da sua própria obra: “este livro, está mesmo bom!"

Sorri no meu íntimo. Aliás sorri no meu íntimo a várias passagens do seu relato fresco e fluído, apesar da hora, apesar do cansaço físico evidente e compreensível, mas sem que se tenha alguma vez notado a falta de entusiasmo, uma sombra de desconforto ou de desinteresse. Sorri no meu íntimo porque ainda não há uma semana, na mesma sala, tinham estado vários autores mondinenses, hoje ausentes por opção ou compromissos. Mas o que mais falta me fez, na circunstância, foi um “autor” que não creio tenha estado representado no “Contar, Cantar e Pintar… Mondim”: o nosso saudoso Manuel Cunha Alegre.

Porque me lembrei dele? Não porque também fosse um retornado e tivesse uma semelhante modéstia, frescura e verdade… Não porque sentisse necessidade de lhe prestar “uma justa homenagem” como convém dizer dos que partiram. Mas porque não esqueci nunca uma das conversas que com ele tive relativamente ao gosto de escrever, às condições em que o fazemos… Disse-lhe então que não compreendia muito bem como é que alguns autores podiam afirmar que jamais reliam os seus livros, uma vez que eu gostava de reler os meus escritos e que me acontecia gostar mais ainda, à medida que o tempo por eles passava. Foi então que ele me revelou: “eu também gosto muito de lamber a cria…”.

Não sei se citava algum dos seus autores favoritos. Certo é que me ajudou a não ter mais vergonha da imodéstia que parecia haver no facto de gostarmos do que somos, ainda que seja pelo que escrevemos.

JNobre às 20:12
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