De 13 de Maio de 2006 a 31 de Dezembro de 2012, o meu primeiro blog

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Terça-feira, 11 de Dezembro de 2007

Regras básicas de comunicação
 
Cada discurso, escrito ou falado, tem o seu enquadramento. De acordo com a ocasião, a audiência (o público), os suportes (papel, digital, sonoro…), o autor recorre a um vocabulário, uma gramática, uma pontuação que dá ritmo à leitura e orienta para o sentido da mensagem.
Vários académicos, nomeadamente Maria João Simões em “Política e Tecnologia” (Celta Editora, Oeiras 2005), têm explicado que os instrumentos de comunicação comportam determinadas regras, protocolos sociais básicos, que permitem perceber onde começa, se desenvolve e se conclui uma conversa, um discurso. Sendo ainda muito recentes as oportunidades de comunicação oferecidas pela Internet, não houve ainda tempo para estabilizar o tom, o nível, a que a linguagem deverá colocar-se.
 
 
A que nível quero estar?
 
Nas experiências de comunicação que se vão ensaiando na Web, os “avatar”, os “nick name”, os “aliás”, permitem um jogo de máscaras, e de outras tantas personalidades, em que se vão escondendo, ou revelando, não apenas os tímidos, mas também os cobardes, os medíocres, os falhos de ideias ou de capacidade argumentativa. A partir daqui, e na falta de regras referidas no parágrafo anterior, talvez se compreenda melhor porque é dominante uma certa informalidade nos diálogos e conteúdos que vão passando nas páginas da Internet, em particular nos espaços de debate de ideias como os blogues e os fóruns. São muitas as situações em que, refugiando-se no anonimato, os intervenientes num espaço de debate e/ou partilha de ideias, se permitem baixar o nível de linguagem até níveis intoleráveis, despropositados e inúteis, dando forma ao ciber-ruído.
 
 
Os lugares das (minhas) linguagens
 
A minha intenção era que cada um dos meus “blogues” tivesse um “registo” próprio, uma identidade, um vocabulário, uma gramática…
O blogue “geografia-do-afecto”, seria o lugar da minha criatividade poética, o lugar para a edição dos meus textos ficcionados e, eventualmente, das páginas do meu Diário;
O “mondim-leituras” seria o espaço da crónica, da crítica, das sugestões e anotações sobre livros, artigos de jornal, acontecimentos, tudo feito “a partir de” Mondim e, se possível, relacionado com Mondim;
Em “pré-textos” pretendia editar um conjunto de anotações temáticas, a partir de um glossário, que pudessem ser um contributo para a formulação de políticas locais; Tenho alguma coisa escrita, mas não editada, com esse objectivo, são no entanto textos não concluídos;
Finalmente, o “página-um” seria como que um “portal”, síntese dos outros, lugar do Editorial que enquadrasse o momento e unificasse os diferentes “lugares de edição”.
Admito que o projecto esteja longe de se cumprir mas não será este o motivo, nem a ocasião, para o abandonar.
 
 
Persistência não é teimosia
 
Vou ainda insistir na procura de um conjunto de discursos próprios, que possam ser públicos, aqui ou em qualquer espaço social, tentando ultrapassar receios e preconceitos. Há quem diga que esta forma de exposição tem algo de narcísico, uma vez que o autor se revê no que escreve. Sem poder negar essa dimensão, bem gostaria que antes fosse mais uma dimensão de quem gosta de si, da sua Terra, dos seus amigos e familiares e pode oferecer, neste tempo e neste lugar, um conjunto de competências únicas e singulares.
Por isso, espero voltar.
 
JNobre às 20:08
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