De 13 de Maio de 2006 a 31 de Dezembro de 2012, o meu primeiro blog

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Segunda-feira, 12 de Fevereiro de 2007
Uma leitura pessoal dos resultados registados no referendo de 11 de Fevereiro.
 
Há o silêncio dos abstencionistas, de diferentes motivações, dilemas e circunstâncias. Porque a democracia é generosa, a todos compreende, mesmo os que, por opção ou acidente, resolveram não votar, e deste modo alienaram, nos “votos expressos”, uma decisão de consequências relativamente imprevisíveis que também os afectará a eles, aos seus filhos, aos seus netos…
 
Há o silêncio de alguns líderes locais para quem, incompreensivelmente, o buraco da minha rua parece ser mais importante que o destino dos homens e das mulheres desta terra, do meu país. É um silêncio comprometido que não compromete, não tem custos políticos ou, pelo menos, parece não ter.
 
Há o silêncio das crianças, únicas e irrepetíveis, que não chegarão a ser, porque a sua viabilidade será, voluntária e legalmente, interrompida em estabelecimento de saúde devidamente autorizado para jamais ser retomada.
 

Em todos estes silêncios há um pouco de conveniência. Em todos estes silêncios há um pouco de inocência. Mas a voz dos silenciados clama e o seu silêncio é como um sussurro persistente, ensurdecessor.

JNobre às 20:26
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