De 13 de Maio de 2006 a 31 de Dezembro de 2012, o meu primeiro blog

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Sábado, 29 de Julho de 2006

Parece que já ninguém tem dúvidas da irreversibilidade da decisão: Mondim integra, desde o início do corrente mês de Julho, a NUT do Ave. Este facto tem sido confirmado pelo próprio presidente da câmara, Fernando Pinto de Moura, em entrevistas recentes à imprensa local, nomeadamente ao “Clarim do Tâmega” (Amarante) e ao “Notícias de Vila Real”.

Os movimentos inter-municipais dos últimos anos – processo de criação de associações de municípios, das comunidades urbanas ou este mais recente reordenamento das NUTs – mostram a inevitabilidade de os municípios terem de se associar para ganharem massa crítica, isto é, dimensão humana e económica, susceptível de ser medida, monitorizada e potenciada, num contexto de macro-economia e geo-estratégica. Buscam, além disso, o cumprimento de um desígnio nacional inscrito na Constituição da República – a regionalização – que o nosso municipalismo, um tanto paroquial, mais etnográfico que político, tende a adiar.

Fruto do isolamento que uma rede de comunicações terrestres, assente sobre um território rico de acidentes, sempre favoreceu, o “orgulho” local alimenta-se de uma confusão entre a nostálgica memória que as elites locais, ainda na liderança, alimentam, e a consciência da identidade própria indispensável à construção de um futuro colectivo. Creio ter deixado claro, através dos dois anteriores comentários, que a minha perplexidade relativamente a este episódio, da transferência de Mondim de Basto da NUT do Tâmega para a NUT do Ave, não deve tanto a um certo absurdo geográfico, uma vez que o Tâmega jamais deixará de correr para onde corre, unindo os 4 concelhos de Basto, mas à ausência de uma estratégia que não resulte da simples soma aritmética dos municípios e suas populações e à falta de legitimidade política de uma tal decisão. Não me choca tanto a decisão em si mas a “forma” obscura e tecnocrata como foi tomada. Ao integrar esta ou aquela associação de municípios de acordo com os altos desígnios dos tecnocratas da CCDR-N, que suportam, de momento, o “ónus” político da decisão, ou ao sabor dos humores dos líderes locais, Mondim parece não ter vontade própria. Observando o novo mapa da NUT do Ave, com Cabeceiras e Mondim de Basto compensando a saída da Trofa e de St.º Tirso, não posso deixar de reparar que Mondim não poderia integrá-la por si só, uma vez que, física e directamente, nado nos liga ao Ave. A nossa integração naquela NUT depende da integração de um dos concelhos do distrito de Braga, Celorico ou Cabeceiras de Basto, e não deixa de ser perturbador que tal ligação acabe por vir a fazer-se através do concelho que é, de entre os 5 municípios que connosco confinam, aquele que apresenta a menor das fronteiras, dramatizando, na circunstância, a nossa aparente dependência. Sei que, a cru, é uma visão chocante, e sei também que, a confirmar-se, no tempo, tal dependência, ela ficará a dever-se não apenas à conjuntura do momento, não apenas à CCDR-N e/ou ao actual executivo camarário. Infelizmente, nesta matéria, a oposição mondinense tem também responsabilidades históricas. Talvez por isso se mantenha silenciosa e aparentemente alheada deste debate.

O que está em causa nesta matéria não é apenas, como nos querem fazer crer, uma mera questão técnica relativa às acessibilidades ou à gestão financeira do próximo Quadro Comunitário de Apoio, mas um problema de identidade. A integração no Ave, sem uma estratégia de ordenamento subjacente, acentuará o carácter periférico do nosso concelho, agravando a nossa dependência relativamente aos centros de decisão política, local e regional. Em alternativa, Mondim de Basto deveria afirmar a sua identidade própria, de território de transição, potenciando, em rede, a sua privilegiada posição geográfica.

JNobre às 17:17
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