De 13 de Maio de 2006 a 31 de Dezembro de 2012, o meu primeiro blog

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Terça-feira, 07 de Setembro de 2010

Nos Estados Unidos da América, a comemoração do 9.º Aniversário do atentado às Torres Gémeas do “World Trade Center”, a 11 de Setembro, tem este ano, por pano de fundo, o debate sobre uma iniciativa fracturante: um grupo de religiosos islâmicos moderados, obteve autorização para, nas imediações do “Ground Zero” - local das ruínas deixadas pelo atentado - fazer construir a Cordoba House, um centro de culto e de cultura muçulmana. Para uma nação maioritariamente Cristã, ainda que marcada pela profusão de centenas de denominações, obediências ou tradições que se reivindicam do cristianismo, esta iniciativa tem sido considerada como uma provocação, sabendo-se que o referido atentado foi levado a cabo por extremistas islâmicos. Para os sectores políticos mais conservadores, próximos do fundamentalismo cristão, é também uma oportunidade para contestar a liderança de Barack Hussein Obama, o presidente improvável da “maior” nação do mundo.

Este debate interessa ao Velho Continente, a braços com semelhantes dilemas. Há alguns meses, Sarkozy fez debater e aprovar legislação da República Francesa que proíbe o uso de símbolos religiosos nos lugares públicos sob jurisdição do Estado. De entre estes, nas escolas públicas, onde o véu islâmico usado pelas raparigas e mulheres muçulmanas tem tido uma presença crescentemente notória. A lei foi aprovada e acabou por ter também consequências sobre os símbolos cristãos, reforçando a vertente laica do republicanismo a que muitas monarquias europeias já aderiram, uma vez adoptados os princípios da democracia representativa e da separação de poderes.

Ponderando argumentos, considero que a defesa do princípio da liberdade religiosa e da laicidade do Estado é bastante conveniente à afirmação dos valores tradicionalmente cristãos da Europa, isto, apesar do desafio que paira sobre o projecto europeu, com a população de profissão islâmica a crescer em número, em resultado de migrações que não tanto de conversões.

Se a Turquia alguma vez vier a integrar a Comunidade Europeia, como parece ser vontade de um número significativo dos seus cidadãos e elites dirigentes, o número de europeus de cultura islâmica passará a ser aritmeticamente maioritário. Não por acaso, um dos debates que de momento mais parece dividir os turcos passa pela afirmação, ou moderação, da laicidade do Estado Turco, pendendo para um ou para o outro lado, em função da qualidade do relacionamento político com as estruturas de decisão da Europa comunitária.

Dados estatísticos à parte, a verdade é que o carácter dos povos, como dos indivíduos, se forja na afirmação corajosa e resiliente dos valores estruturantes, através dos comportamentos, mais do que pelos discursos.

Estes são, em síntese, os pretextos que me levaram a escrever Tolerância Zero a minha mais recente crónica publicada n’ O Basto, edição on-line.

JNobre às 11:40
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