De 13 de Maio de 2006 a 31 de Dezembro de 2012, o meu primeiro blog

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Sexta-feira, 26 de Dezembro de 2008

[1/4] ...não é apenas o edifício.

 

Gosto de A ver ali, elevada, projectando a sua luz sobre a Vila, a nascente e a poente do espaço. Apesar de relativamente discreta, a Biblioteca procura-nos incessantemente, por entre resquícios de paisagem.

Subo até lá como se subisse a um Templo. Distancio-me para poder “ver” sem descurar nenhuma dimensão dos meus sentidos.

Diante de mim, abrem-se janelas, através das quais poderei contemplar as paisagens envolventes, ora sobre o leito cavado do Tâmega, ora sobre a Vila e o Monte Farinha.

No seu interior seguirei a arrumação dos livros e dos discos, a sua catalogação temática. Sentado num qualquer canto, dos mais diversos à minha disposição, escolherei entre uma leitura, o visionamento de um vídeo, uma consulta na “Web”, a audição de um CD ou uma conversa sussurrada.

Há quem diga que a Biblioteca fica “longe” mas, para mim, fica rente ao coração. “Ir à Biblioteca” passará a ser uma experiência rica de sensações, um pretexto para um passeio, uma conversa, uma tarde de convívio…

Aliás a Biblioteca não é apenas, nem principalmente, o edifício, mas apenas o seu “ponto de partida” e o seu “ponte de chegada”. O que seria da Biblioteca sem uma “animação”?!... Sem uma programação junto das escolas, dos Centros de Dia, das Associações e das comunidades locais, onde poderá vir a ter as suas “extensões”?!...

[2/4] ...e a questão das acessibilidades.

A possibilidade da recuperação de um dos imóveis então devolutos – a actual “Casa da Cultura” ou a “Casa da Igreja” – para ali instalar a Biblioteca, chegou a ser equacionada. Mas a adaptação de qualquer desses edifícios ao exigente programa definido pelo “Instituto Português dos Livros e das Bibliotecas” (IPLB) resultaria, desde logo, na destruição da compartimentação interior de qualquer dos edifícios o que, no caso particular da “Casa da Igreja”, se tornaria num exercício doloroso, ainda que sustentável numa decisão de “bem maior”. Além disso, a obrigatoriedade da criação de condições de acesso e circulação interna para os utentes com dificuldades motoras, implicaria que tivéssemos que recorrer a meios mecânicos, com os inconvenientes que tal solução implica. Qualquer dos edifícios teria que ser equipado com, pelo menos, um elevador para utentes e, muito provavelmente, outro de “serviço”, colocando novos desafios à gestão do espaço (segurança de pessoas e bens) de operacionalidade (crianças e idosos nem sempre estão em condições de usarem ascensores sem acompanhantes) e manutenção (assistência técnica).

Pelo contrário, junto ao edifício em construção haverá reserva de lugares de estacionamento para deficientes motores, servidos pela rampa de acesso ao átrio de entrada. O facto de no interior não existirem quaisquer degraus, possibilitará que todos os compartimentos da Biblioteca possam vir a ser utilizado e usufruídos, com elevada autonomia, por pessoas com dificuldades motoras, sejam leitores ou funcionários.

A organização interna teve também em conta a necessidade de um eficiente controlo de “entradas” e “saídas”, não apenas para evitar o desvio de livros ou outros “media” mas, sobretudo, para não permitir que alguma criança possa ausentar-se das salas de leitura sem ser visto.

[3/4] ...é um edifício novo, num novo edifício.

Longe vão os tempos, de herança medieval (primeiro) e “iluminista” (alguns séculos depois), em que “deter o saber” era “deter o poder”. Longe vão os tempos em que as bibliotecas se assemelhavam a hospícios de clausura onde a ordem e o silêncio se tornavam constrangedores, desconfortáveis. “Não se ouvia uma mosca”. As salas eram escuras, emparedadas por livros, iluminadas artificialmente. O ar, como os livros, era pesado e impregnado de humidade… Que dizer dos funcionários que zelosamente guardavam tais tesouros inacessíveis? Inspiravam temor, reverência, mas muito pouca simpatia.

Biblioteca Medieval

Ora, para novas exigências, edifícios novos! A opção pela construção de um edifício “novo”, em detrimento do aproveitamento de um “antigo”, teve também a haver com esta necessidade de expressar fisicamente um “novo” tempo em que a Informação e o Conhecimento, adquirem “valor” real, acessível a todas as gerações, princípio associado a semelhantes valores emergentes: transparência, sentido lúdico da aprendizagem, fruição e contemplação (espiritualidade), mobilidade virtual...

A Biblioteca não é apenas, nem sequer principalmente, o edifício onde terá a sua sede. Mas este edifício, amplo, luminoso, largo, é uma boa representação do que a Biblioteca quer ser.

[4/4] ...na "rede pública de bibliotecas".

Importa finalmente referir que a responsabilidade pela decisão de construir “ali” a Biblioteca não é apenas dos técnicos e dos decisores políticos locais mas também dos técnicos e quadros superiores do IPLB (Instituto Português dos Livros e das Bibliotecas), responsáveis pela implementação do Rede Nacional de Bibliotecas Públicas. Todo o processo, desde a concepção do edifício à sua organização interna, passando pelo processo de adjudicação dos trabalhos de construção, foi, e continua a ser, monitorizado por aquele Instituto que validou o local de construção desde o primeiro momento.
Convém aliás referir que o princípio defendido pelo IPLB para esta rede de bibliotecas é precisamente que seja instalada em edifícios novos, porque respondem melhor às exigências programáticas, à estruturação das redes telemáticas e das infra-estruturas, sobretudo as “mecânicas” de que são exemplo os arquivos deslizantes, o ar condicionado e os desumidificadores.

 

[Comentários:]

Francisco Laranjeira disse sobre A Biblioteca... na Quarta-feira, 7 de Janeiro de 2009 às 11:42: D

izer que a Biblioteca Municipal de Mondim deveria ser "aqui" ou "ali", dizer que está "longe", dizer que "foi" cara, que o dinheiro "gasto" serviria para fazer "isto" e "aquilo", são apenas comentários de quem está completamente fora das necessidades de informação de uma comunidade como a nossa. O que importa, de facto, é que a Biblioteca exista e possa cumprir as missões que lhe são inerentes. E não tenho dúvidas que, no edifício construído de raíz, essa missão principal de "Transformar a Informação em Conhecimento" pode ser mais facilmente atingida. Parabéns pelo artigo, pela fundamentação apresentada para defender os seus pontos de vista (coincidentes com os meus). Este blogue ganhou um "cliente". Abraço.

 

 
Desconhecido disse sobre A Biblioteca... no Domingo, 28 de Dezembro de 2008 às 01:44:
Uma Biblioteca em Mondim.Há quase 50 anos, vivia-mos sempre a ver quando chegava a biblioteca itenerante da Gulbenkian, que vinha uma vez por mês, e nos deixava 5 livros a cada um,emprestados mediante um cartão com os nossos dados; livros esses,que eram devorados logo nos dois dias seguintes, e isso porque prolongavamos as leituras para não acabarem tão depressa.Viviamos nessa ansiedade da espera.Por isso, uma Biblioteca em Mondim, é uma grande riqueza, um grande sonho... seja lá em que lugar for.
 
JNobre às 22:19
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