De 13 de Maio de 2006 a 31 de Dezembro de 2012, o meu primeiro blog

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Domingo, 31 de Janeiro de 2010

Não sei se escreverei sobre a "culpa" e o "perdão". Em certo sentido, pelo menos para mim que me considero cristão, a culpa morreu na cruz, há dois mil anos, na pessoa de Jesus Cristo que assim inaugurou um tempo de absoluto perdão. Ninguém é dirrimido ou salvo (palavra mais comum no discurso devocional) por si só. Porém, se há algo de original na religião que professo, é a ideia de que a liberdade individual preside à responsabilidade. Cada um de nós é responsável por si próprio, pelos companheiros de viagem que, de algum modo, lhe estão confiados e pelos recursos de que dispõe para trabalhar, viver e usufruir. Aqui está, no essencial, o conceito de ecologia sustentável.

Então porquê? Também não tenho a pretensão de responder. O "porquê" é a questão que pôs e põe em marcha a força da Vida. Que o digam os pedopsiquiatras. Que o digam os filósofos, os teólogos, os cientistas. Que seríamos sem o "porquê"? Que seria desta civilização, de qualquer civilização sem o "porquê"?...

No paradoxo que é acreditar, no coração da catástrofe, voltamos ao "porquê", buscando deseperadamente respostas. Mas paradoxal é também culparmos um Deus, em que deixámos de acreditar e/ou que rejeitamos com veemência, pelos males que nos fazem perguntar "porquê"?...

Creio que, para um crente, melhor é rejubilar cada vez que alguém é resgatado, do que chorar uma vida que se perdeu. Eu vi isto em muitos haitianos: um coração agradecido por ter escapado, uma alegria espontânea por cada sobrevivente encontrado. Para um crente, para lá da vida, há uma Surpresa desconhecida, uma Esperança, uma Vida Além, Outra Vida, fora do tempo (neste sentido se diz "eterna": porque será liberta das contingências da cronologia).

Sejamos sérios. A enormidade da catástrofe, a sua dimensão dantesca, deve muito à incúria dos homens, dos homens da economia e da regulação politica. Deve muito à irresponsabilidade dos que, em devido tempo, tendo recebido um legado, dele não souberam cuidar. As consequências do terramoto não são, portanto, um castigo relativo a uma "culpa" indefinida, mas o resultado de uma enorme, global, irresponsabilidade.

JNobre às 10:00
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