De 13 de Maio de 2006 a 31 de Dezembro de 2012, o meu primeiro blog

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Sábado, 19 de Dezembro de 2009

O senso comum que domina a cultura prescreve que qualquer expressão de Arte tem que ser bela. Creio tratar-se de uma herança académica bem expressa na designação das faculdades, de Belas-Artes, que formam os futuros "artistas". Esta é, porém, uma visão distorcida ou, pelo menos, redutora. Como a filosofia, a Arte questiona, é irreverente e estimula reacções emotivas. É, neste sentido, provocadora.

No caso da "Árvore dos Desejos" este objectivo foi conseguido. Não se trata de um obra "bela" mas de uma instalação que convoca a memória afectiva da comunidade.
A Cinderela da nossa infância, foi princesa por via de um sapato perdido, que só a ela servia. No sapatinho, punha o Menino Jesus os presentes, reconhecendo cada um pelo calçado. O sapato é pois um utensílio de uso pessoal que nos distingue.
Em cada sapato usado, quantas horas de viagem? Quantos eventos vividos? Casamentos, funerais, "passos perdidos"... mas também rotinas, no vaivém do dia-a-dia!...

Assim, imagino aqueles sapatos obedecendo a uma chamada secreta, partindo dos quatro cantos desta terra pequenina e caminhando, como peregrinos, ao encontro da árvore, para uma celebração colectiva. À medida que chegam, vão-se arrumando, disciplinados, aceitando cada qual o seu lugar, tendo em vista um propósito comum. Se falassem, quantas histórias poderiam partilhar? Há-os de todos os tamanhos, origens e propósitos... Nem todos serão inúteis. É por isso que eu gosto, desta árvore dos sapatos, desta "árvore dos sonhos"...

 

[créditos: serviços da cultura da CM de Mondim de Basto]

JNobre às 15:00
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