De 13 de Maio de 2006 a 31 de Dezembro de 2012, o meu primeiro blog

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Sábado, 04 de Julho de 2009

As lógicas da exclusão

Sempre me surpreendeu que os mais convictos (?) racistas não compreendessem que a lógica de exclusão que defendem, fará com que, um dia, chegue a sua vez.
Na Alemanha Nazi, a limpeza étnica teve a sua expressão máxima no extermínio de Judeus, Ciganos, seguidos de perto de uma minoria, os Testemunhas de Jeová. Em Portugal, naquele período da história, alguns entusiasmados simpatizaram com os mesmos princípios higienistas, que tinham em vista o “apuramento da raça”, sem perceber que, como acontece já hoje nos Estados Unidos, os portugueses, os espanhóis, os italianos e seus ascendentes não são “Brancos”, são “Latinos”, isto é, “pequenos, morenos e de cabelo escuro…”. É esta a lógica da exclusão: primeiro “este”, depois “aquele” e a seguir… “Vais tu!”.

A Natureza da depressão

Pela sua geografia particular, falar das freguesias do município de Mondim de Basto é ter que considerar a “periferia” da Sede, uma vez que o território como que “drena” as suas acessibilidades para o Centro da Vila.
Mondim de Basto, concelho, dispõe-se como um anfi-teatro, a poente, em que as freguesias mais distantes – Atei, Bilhó, Ermêlo, Pardelhas e Campanhó – constituem a “galeria alta”, e as freguesias mais próximas – Paradança e Vilar de Ferreiros, a “plateia”. Se a estas condições naturais, de acessibilidade e estrutura espacial, associarmos a gestão dos recursos económicos, mesmo se precários, percebemos melhor porque não é fácil fazer face às assimetrias visíveis no ordenamento do território do nosso concelho. Mas encarar o problema da depressão das freguesias e lugares como se fora um fatalismo, sem solução, tem a lógica sequencial da exclusão: hoje será Pardelhas, Campanhó ou Ermêlo; amanhã, a Sede do Município, o Concelho.

Humildade Científica

Os clínicos (vulgo, “médicos”) mais devotados, sabem como é importante conhecer o paciente enquanto se consideram as suas queixas. Faz parte do diagnóstico.
Assim deveríamos considerar o Território e cada uma das suas partes: compreender o seu passado, a sua matriz, conhecer as bases da sua economia e da sua ecologia social para fazer um correcto acompanhamento e avaliação dos avanços e recuos das suas dinâmicas. Admitindo até que “não há nada a fazer”, conhecer os motivos que conduzem à depressão dos indicadores económicos e demográficos (para nomear os mais notórios) e tentar combater essas tendências, ensaiando soluções, é aproveitar para aprender e assim adquirir um conhecimento útil ao lugar e ao país. Os investigadores falam dos “casos de estudo” e nunca deixam de aconselhar aos seus alunos uma atitude de humildade científica na análise dos fenómenos, naturais ou sociais.
 

Temos muitos motivos para “voltar” às freguesias, que não apenas os eleitorais. É uma questão de inteligência, uma questão de humildade científica.

JNobre às 20:00
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Lido!
AtoMo a 6 de Julho de 2009 às 12:45

Caro Nobre, li a sua opinião e não a querendo condensar apenas num único parágrafo não deixo de realçar este último que me parece conclusivo:"Temos muitos motivos para “voltar” às freguesias, que não apenas os eleitorais. É uma questão de inteligência, uma questão de humildade científica." De facto parece-me óbvio o afastamento cultural entre as freguesias de Mondim. Basta olhar para as parcas iniciativas das mesmas e o quão distante alheamento com que as mesmas são olhadas por todos. Pode ser um pequeno pormenor mas revela bem a distância que nos separa. Tente-se ir - por exemplo, ás festas de Vilarinho, Vilar Ferreiros, Atei, Bilhó Paradança etc e verá como é notória a ausência de povo que não os naturais.
As aldeias não comunicam entre si. É um facto.
A sede do concelho não ajuda, como é seu dever, a articular e agilizar este déficit de comunicação. Por vezes - bastantes - até complica. Apesar da geografia do nosso concelho drenar as freguesias para a sede como muito bem diz, torna-se fundamental ser a geografia politica a inverter essa situação. Só que esse rio secou. Hoje, nesta aldeia global, falar de Pardelhas parece mais distante e difuso do que falar de uma qualquer aldeia da Patagónia que por um acaso qualquer sound bite colocou em efervescência mediática na net.
Penso que a questão fundamental passa pela valorização própria da identidade cultural e social de cada um, e tal só será possível por intervenção dos próprios. Sem paternalismo, submissão ou clientela.
O período eleitoral, apesar de efémero e muitas vezes panfletário, poderá, (poderia),ser uma alavanca preciosa neste despertar de consciências. Assim todos quiséssemos Não estou avalizado para garantir a humildade científica da mesma mas estou certo que seria uma prova vital de inteligência colectiva.
romano a 14 de Julho de 2009 às 17:05

Caro Luís Romano: Obrigado pelo seu comentário. Quando me refiro à "humildade científica", quero dizer duas coisas. A primeira é que, cíentífica , é a "dúvida" e não a "certeza"; é da natureza da ciência interrogar-se. Porém, a muitos níveis, e particularmente em política, há tantas "certezas" que, apelar à humildade é "reconhecer que temos dúvidas", que "não sabemos" para, a partir daí, ensaiar soluções, pôr hipóteses e testá-las. A segunda coisa que pretendi dizer quando usei a expressão "humildade científica" tem que ver com o facto de que, também no cambate às Assimetrias, valerá a pena tentar soluções; diagnosticar os problemas, como o Luís acabou de fazer, e tentar soluções. Se não resultarem, apesar de tudo, ficaremos a saber um bocadinho mais, sem nunca abandonarmos, a nossa "humildade científica", que é condição de aprendizagem. Concordo consigo, sobretudo quando diz que, mudar de atitude seria uma "prova vital de inteligência colectiva". Mais uma vez, obrigado. José Nobre
JNobre a 14 de Julho de 2009 às 21:38