De 13 de Maio de 2006 a 31 de Dezembro de 2012, o meu primeiro blog

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Domingo, 15 de Março de 2009

[1/3] O que tem o EIA para oferecer?

Há quem resolva o seu posicionamento relativamente à questão da construção da barragem do Fridão, escudando-se na benevolência do estudo de impacte ambiental (EIA) a concluir dentro de meses. De acordo com esse princípio, o EIA irá elencar “tudo” e tudo resolver, diagnosticando os malefícios e contrariedades enquanto proporá as devidas correcções e compensações. Mas não será assim. Desde logo porque “quem parte e reparte…”.

[2/3] Um massivo investimento público

Os primeiros impactes a considerar (e esses não constarão nos relatórios) são os políticos e referem-se à possibilidade da contestação à construção passar dos limites do razoável. Pelo que tenho lido, ouvido e observado, os mondinenses que se expressam temem sobretudo as consequências ambientais e paisagísticas locais, sem cuidar de contextualizar esta iniciativa no âmbito do Plano Nacional de Barragens e da opção pelo massivo investimento público em infra-estruturas pesadas. A seguir, virão os impactes económicos directos, relativos à necessidade de aquisição das parcelas rústicas afectadas, das casas, moradias e equipamentos, bem como ao tratamento dos acessos e servidões várias. Movimentações especulativas no sector do imobiliário rústico começam a insinuar-se, mitigados embora pela crise financeira que tem no imobiliário um dos seus pontos mais sensíveis. Tudo isto a água há-de cobrir, literal e financeiramente.

[3/3] Antevendo cenários

Eu penso que as consequências a antecipar e a monitorizar serão, sobretudo, de natureza sociológica. Com o desencadear de qualquer das operações – a construção das acessibilidades anunciada no ano passado pelo Secretário de Estado das Obras Públicas, Paulo Campos, ou o início dos trabalhos de instalação do estaleiro da barragem Codeçoso/Fridão – dar-se-á início a um processo, sem retorno, da alteração do perfil físico e social da nossa Vila e, por consequência, do município, na medida em que tal afectará praticamente 2/3 da população residente no concelho, considerando que estamos a falar das freguesias de Atei, Mondim de Basto e Paradança. Importante será, então, sermos capazes de prever e desenhar os diferentes cenários que tais infra-estruturas poderão influenciar, projectando-os sobre os próximos quatro a oito anos, a partir, mas para lá, da presente conjuntura económica e política

JNobre às 12:03
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Não tenho, nem competência, nem conhecimmento suficiente, para discutir abertamente com quem sabe mais do que eu, um assunto de tão elevada envergadura. Enquanto Mondinense, darei a minha opinião, sempre com na condição de julgar, que estou a contribuir para o bem comum.
Mas, deste lugar onde me não refugio, mas porque nele darei sempre a minha cara, a minha terra estará sempre em primeiro lugar. Mondim, sempre.

Teixeira da Silva.
jts a 15 de Março de 2009 às 18:15

Já nos vamos habituando a esta capacidade para de forma sucinta conseguir tocar no que realmente interessa.

O referido anseio pelo EIA é fruto da também referida "principal" fonte de discórdia: consequências ambientais. É portanto uma limitação natural do debate público.

Limitação esta, só ultrapassável, se entidades competentes se empenharem na recolha de dados que nos permitam discutir os pontos agora aqui levantados.

No meio de tão escassa informação, é sobre os Imp. Ambientais que dispomos de mais indicadores. Discutir impactos económicos e sociológicos sem um único indicador ou diagnóstico acabaria por ser um exercício de "astrologia".

E aqui considero que há responsáveis que poderiam e deveriam fazer muito mais! ;)
AtoMo a 18 de Março de 2009 às 12:59