De 13 de Maio de 2006 a 31 de Dezembro de 2012, o meu primeiro blog

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Segunda-feira, 08 de Dezembro de 2008

Creio que evoluir é ir sofrendo, na carne das pessoas e das gerações, a metamorfose dolorosa da passagem da quantidade à qualidade.

in Peregrinação Interior, Vol. I, Edit. Presença, 7.ª Ed. Lisboa 1986 pág. 150

 

António Alçada Baptista [1927-2008] 

Uma das marcas das personalidades de excelência é a expressão sempre actual do seu pensamento. Não conheci suficientemente a obra nem o autor, mas guardei pedacinhos de "leituras" que fiz, de coisas escritas por António Alçada Baptista, e é impressionante como são actuais!

 

Tudo está a ser vivido com uma grande facilidade, e o nome genérico de [da?] opressão deixou de significar um peso anormal e deformante e alastrou à própria disciplina interior e exterior, que seria o esqueleto mínimo capaz de nos fazer andar. Sinto que há uma incapcidade total de nos submetermos a qualquer coisa que regula formas de vida, o que torna difícil um compromisso durável e consciente num pacto de criação como é a fé. Daí a dificuldade de nos submetermos ao próprio processo de criação que é um caminho que passa necessariamente pelo sofrimento, pela doação, pela renúncia, pela opção dolorosa.

Pôs-se de parte o silêncio e a meditação necessários ao nosso encontro connosco. Creio que o homem tem cada vez maior dificuldade em se encontrar consigo próprio, e o nosso pequeno itinerário é uma sucessiva procura de pretextos para adiar este encontro fundamental.

(...)

Neste momento não sei o que mais me custa e mais me faz sofrer: se a astúcia e a capacidade destruidora dos poderes, se a solidão dos pouco que souberam testemunhar no compromisso aquilo que muitos diziam defender.

 

in Peregrinação Interior, Vol. I, Edit. Presença, 7.ª Ed. Lisboa 1986 pág.s 125 e 126

 

JNobre às 15:38
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